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Presbifonia: entenda o envelhecimento da voz

9 de maio de 2017
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Todo mundo sabe que tem que se exercitar e manter uma alimentação saudável para envelhecer bem. No entanto, a maioria das pessoas acaba não dando muita atenção à própria voz, mas ela também sofre com a passagem do tempo. Para falar do tema, conversamos com a fonoaudióloga Leny Kyrillos, mestre e doutora em Ciências dos Distúrbios da Comunicação pela Universidade Federal de São Paulo. Ela é comentarista da CBN, no quadro semanal “Comunicação e Liderança”, além de coautora e organizadora dos livros “Voz e Corpo na TV – a fonoaudiologia a serviço da comunicação”; “Fonoaudiologia e Telejornalismo”; “Expressividade”; e “Comunicar para Liderar”.

 

Quais são os principais problemas que surgem depois dos 50 anos?

Leny Kyrillos: A presbifonia (presbi é o prefixo que significa envelhecimento) é o processo de modificações normais decorrentes do envelhecimento da voz. Como antes as pessoas viviam menos, esse fenômeno não chamava tanto a atenção. Hoje em dia, cada vez mais gente trabalha até uma idade avançada, o que leva a uma maior percepção das mudanças da voz. Principalmente a partir da menopausa ou andropausa, a laringe sofre duas importantes alterações do ponto de vista fisiológico: enrijecimento das cartilagens e flacidez da musculatura. A rigidez impede a variação de tom e deixa a voz mais agudizada, enquanto a flacidez leva à perda do tônus muscular.

 

Que mudanças são mais perceptíveis?

Leny Kyrillos: A voz vai se tornando mais frágil, com menor projeção e intensidade. É mais comum que ela saia “tremida”. Como há perda de massa muscular (a capacidade de modular é afetada), a imprecisão articulatória aumenta, provocando a chamada articulação de “boca mole”. Há outras perdas associadas à velhice e uma das principais é a dificuldade de audição. Se não me faço compreender perfeitamente e não escuto bem, a tendência ao isolamento é um perigo que gera um círculo vicioso. A fala é extremamente terapêutica, falar nos cura. Por isso, se o idoso deixa de se comunicar, há um risco muito grande de desenvolver depressão. Ele deixa de compartilhar seus sentimentos, finge que não existe, mas isso tem um preço alto.

 

Quais são os principais bons hábitos para preservar a voz? E o papel da hidratação, ainda mais porque os mais velhos tendem a beber menos água?

Leny Kyrillos: Os cuidados com a saúde, a atividade física e a alimentação equilibrada beneficiam a voz. Os maus hábitos são bem conhecidos de todos, como o álcool e fumo. No idoso, o refluxo gastroesofágico pode queimar a parte posterior da garganta, causando um edema, um inchaço. Isso vai provocar um pigarro que equivale a uma verdadeira “trombada” na corda vocal. A hidratação é fundamental, porque fluidifica as secreções e lubrifica a mucosa, evitando aquela voz áspera, gutural. Quem dá aulas ou faz palestras deve sempre beber pequenos goles de água nessas situações nas quais a fala está sendo mais exigida. Aliás, quando a pessoa usa muito a fala, profissionalmente ou no dia a dia, é importante fazer exercícios que ajudem a musculatura.

 

Há algum exercício simples que qualquer pessoa possa fazer sozinha?

Leny Kyrillos: Um exercício bem simples que ajuda a melhorar o tônus da bochecha e dos lábios é falar, com movimentos amplos, de forma bem exagerada, as vogais A / O; em seguida, fazer o mesmo com as vogais U / I. Para trabalhar a voz, é bom alternar sons agudos com graves. Na prática, diga “iiiiiiiiii”; e, na sequência, “uuuuuuuuuu”. Imitar a mastigação de boca aberta – de um jeito mal educado mesmo, só que sem alimento – também funciona, assim como as técnicas de vibração: fazer “rrrrrrrrrr” (com a ponta da língua no céu da boca); e “zzzzzzzzzz” (com os dentes cerrados).

 

Que sinais devem servir de alerta para que a pessoa procure um médico?

Leny Kyrillos: Rouquidão não é normal, é sinal de que algo não vai bem. É claro que, se você foi a um estádio de futebol e gritou até não poder mais, ou está gripado, a rouquidão tem uma explicação clara e, por isso mesmo, vai passar. No entanto, se persistir por mais de 15 dias, tem que ser investigada.

Fonte: G1

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