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A diferença entre gripe e resfriado e alerta para uma segunda onda do H1N1

14 de julho de 2010

O aumento na quantidade de propagandas de analgésicos e antitérmicos é sempre um sinal de que o inverno chegou ou está para chegar. As publicidades soam como um aviso: “se você ainda não ficou, vai ficar gripado, então lembre-se de nós quando for à farmácia.” Não tem jeito, pelo menos uma vez por ano o vírus da gripe tenta nos atacar. Para quem não quer contar com a sorte de ter um sistema imunológico forte o bastante para resistir a esse mal, a melhor saída é mesmo a vacina. Segundo o chefe do serviço de Doenças Infecciosas e Parasitárias do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho/UFRJ, Alberto Chebabo, não há receita caseira que consiga espantar esse “fantasma do inverno”.

“A única forma eficaz é a utilização da vacina de Influenza. Além disso, medidas como higienização frequente das mãos, proteger o rosto ao espirrar ou tossir e evitar levar as mãos aos olhos, boca ou nariz ajudam a reduzir os riscos de transmissão do vírus”, explica.

A proteção da vacina começa cerca de duas semanas após a sua aplicação e tem efeito até os quatro meses seguintes. De acordo com o Ministério da Saúde, após este período ocorre uma queda na resposta do sistema imunológico ao vírus. Além disso, as mutações do vírus tornam necessário que uma nova vacina seja preparada a cada temporada. Por isso, é preciso tomar a vacina antigripal anualmente. Os idosos devem ficar ainda mais atentos do que o restante da população, e não é à toa que eles são o foco das campanhas do governo: cerca de 90% das mortes causadas pela gripe acontecem em pessoas idosas.

Resfriado não é gripe

Segundo Chebabo, a vacina oferece uma proteção de 70 a 85%, mas é bom lembrar que ela não confere imunidade contra os resfriados. “A vacina não faz a proteção cruzada para outros vírus”, ressalta o especialista. Chebabo explica que enquanto a gripe  é causada pelo vírus Influenza, o resfriado é provocado por outros agentes. O Rhinovírus, por exemplo, que é o responsável pela maioria dos resfriados, tem, pelo menos, 115 sorotipos diferentes já identificados na natureza, o que dificulta a produção de uma vacina para combatê-lo.

Clinicamente, os sintomas, embora parecidos, também são distintos: a gripe se constitui em um quadro mais grave, com febre, tosse e dores no corpo e na cabeça. Já quem está com resfriado apresenta apenas os sintomas respiratórios, como coriza, tosse e espirros, podendo ou não ter febre. A intensidade dos sintomas varia de acordo com as características do vírus circulante. Em todo o caso, é preciso atenção. Chebabo lembra que além de desencadear doenças como diabetes, doenças respiratórias e cardiovasculares, a gripe pode evoluir para uma pneumonia, seja de origem bacteriana ou causada pelo próprio vírus Influenza.

Autoridades se preparam para nova onda de H1N1

O risco à saúde causado pela gripe comum é mesmo grande e se reflete nos números: a taxa de mortalidade provocada pelo vírus sazonal é bem maior do que a causada pelo vírus H1N1, popularmente chamada de gripe suína, por exemplo. No início de junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou dados que mostram que a gripe sazonal causou 500 mil mortes em um ano, enquanto a gripe suína foi a causa de 18 mil mortes. Embora menos nefasto do que se temia, a OMS confirmou que o vírus H1N1 é o que continua circulando de maneira predominante no mundo.

Com a chegada do inverno no Hemisfério Sul, as autoridades nacionais e internacionais já estão de olhos bem abertos para o controle da gripe suína. Segundo o Ministério da Saúde, do início de janeiro até o dia 29 de junho deste ano de 2010 foram imunizados mais de 84,8 milhões de pessoas, o que representa 43% da população brasileira. Para Chebabo, a expectativa é de que haja uma segunda onda da epidemia, mais branda do que no ano de 2009, mas ainda com muitos casos: “A vacinação da população pode auxiliar a reduzir a circulação do vírus, mas ainda há muitas pessoas não imunes a ele”.

Para ajudar na identificação dos casos desta segunda onda de gripe suína, o governo acaba de lançar o primeiro teste nacional para diagnóstico do H1N1. Ainda assim, todos os pacientes com manifestação grave respiratória deverão ser tratados como se o agente etiológico seja o vírus Influenza, mesmo sem a confirmação de qual vírus seja o real causador. “O diagnóstico etiológico do H1N1 serve apenas para dados epidemiológicos e não é critério para prescrição de medicação antiviral”, afirma o professor.

Chebabo explica também que quem tomou a vacina do vírus sazonal da gripe pode tomar a vacina do Influenza H1N1 e vice-versa. Mas algumas clínicas privadas já disponibilizam a vacina Influenza tríplice, que combate ambos os vírus.

Para quem não tomou a vacina e acabou pegando a gripe comum, Chebabo ressalta que antes de sair devastando as prateleiras das farmácias é aconselhável procurar um especialista: “a maior parte dos antigripais associam Vitamina C com descongestionantes nasais e antitérmicos. As indicações para cada um destes medicamentos são distintas. O correto é a utilização de antitérmicos em caso de febre. Qualquer outra medicação deve ser orientada por um médico. Pacientes com doenças de base, principalmente diabéticos, cardíacos e pneumopatas, entre outros, devem procurar o médico já ao início dos sintomas gripais”.

Fonte: Opinião e Notícia

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